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Associação de Pesquisa Iyaleta torna-se Observadora Membro na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC)

 

Das 72 organizações brasileiras registradas até julho de 2023, na plataforma de dados da UNFCCC, a confluência de pesquisadoras é a primeira na Região Nordeste. 


A Associação de Pesquisa Iyaleta – Pesquisa, Ciências e Humanidades foi reconhecida neste mês, com admissão permanente, como Observadora Membro da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), para 28⁰ Conferência das Partes (COP28). A admissão é fruto da produção científica da Associação de Pesquisa sobre desigualdades e mudanças climáticas nos espaços urbanos da Amazônia Legal e do Nordeste, com atenção às intersecções de raça, etnia, gênero, geração, território e de saúde. Sediada em Salvador, a Associação de Pesquisa Iyaleta desenvolve pesquisas que contribuem para que as políticas públicas de adaptação climática sejam efetivadas no Brasil. 

Com o status de observadora para a COP28 nos Emirados Árabes Unidos (EAU), evento previsto para novembro deste ano, a Associação de Pesquisa Iyaleta torna-se a primeira organização de pesquisa nordestina credenciada para o acompanhamento das negociações das Partes, Governos Nacionais e Subnacionais, responsáveis pela implementação do Acordo de Paris (2015) da UNFCC.  

De acordo com os dados da UNFCCC, em 17 de agosto, sobre organizações da sociedade civil admitidas, constata-se que das 72 organizações observadoras brasileiras, 66,7% têm sede na região Sudeste e 11 têm sede na região Centro-Oeste, com destaque para sete na capital federal. Na região Norte estão localizadas outras sete organizações e até a data desta publicação, nenhuma organização da sociedade civil com sede na região Nordeste consta da lista da UNFCCC.  

Emanuelle Góes, coordenadora científica da Confluência Iyaleta, relata que a produção científica da associação identifica as desigualdades como cerne para a agenda de adaptação climática. “Ter a Associação de Pesquisa Iyaleta como observadora para a COP 28 é fundamental. Temos feito um engajamento de colocar no centro do debate, por meio dos estudos científicos, as desigualdades e suas intersecções. Elas são estruturais para a ocorrência das mudanças climáticas e a necessidade de adaptação”, explica Góes, pesquisadora sênior e líder da linha pesquisa “Justiça e Equidade de Gênero”. 

“Ao mesmo tempo, ser uma instituição no Nordeste em confluência com o Norte e demais territórios segregados do país, propõe uma perspectiva e atuação em narrativa desde um lugar das margens, deslocando o pensar e agir do centro (sudeste e sul)”, reitera a pesquisadora. 

Ações para eliminação das desigualdades  

Atualmente, no corpo do Programa de Formação Iyaleta, a instituição convida a todas a se inscreverem na segunda edição dos Cursos Livres Spring Iyaleta 2023, uma plataforma de conhecimentos sobre desigualdades territoriais e mudanças climáticas com cobertura nacional. 

Diante das mudanças do clima, pela transparência e pelo acesso aos estudos e pesquisas, a Associação de Pesquisa Iyaleta tem realizado parcerias institucionais e capacitação de ativistas do clima e ambiente, pesquisadoras, gestoras públicas e outras agentes públicas para incidência nas Conferências do Clima das Nações Unidas.  

Também está em curso aChamada de Ação ↓1,5°C e Desigualdades Zer0, lançada em 2022 na COP27. Neste ano, na 28º Conferência da ONU sobre Mudança do Clima, junto às delegações, a chamada de ação visa contribuir na aprovação das metas e objetivos globais de adaptação climática, em Dubai nos Emirados Árabes Unidos. Conforme o Plano de Implementação de Sharm el-Sheikh, aprovado na Conferência do Clima no Egito, a incidência da Confluência Iyaleta junto às negociadoras(es), na UNFCCC, busca fortalecer as ações de compromissos globais com os mecanismos de financiamento climático, adaptação e perdas e danos e mobiliza governos nacionais e subnacionais. 

Trajetória nas Conferências do Clima 

Nos últimos três anos, a Associação de Pesquisa Iyaleta tem se tornando uma referência pelos estudos e pesquisas para a revisão do Plano Nacional de Adaptação do Clima do Brasil (PAN), ao evidenciar as dimensões territoriais das desigualdades e os impactos e efeitos das mudanças climáticas. É o caso do estudo Amazônia Legal Urbana – Análises Socioespaciais de Mudanças Climáticas (2019-2022) e da pesquisa Adaptação Climática: uma intersecção Brasil (2022-2024), com apoio institucional do Instituto Clima e Sociedade (iCS). 

A Associação de Pesquisa Iyaleta também reúne experiência nas COPs. Participou da COP26 em Glasgow (Escócia) e na COP27 (Sharm el-Sheikh – Egito), como parte do Grupo Gestor do Brazil Climate Action Hub COP27 com a coordenação do iCS, IPAM e o ClimaInfo. As participações repercutiram na incidência sobre as estratégias nacionais de implementação da adaptação climática nos espaços urbanos das cidades, com destaque para as capitais do Norte e Nordeste. 

Próximos passos 

Para a Confluência Iyaleta, o reconhecimento na admissão pela UNFCCC, formalizada a partir da presidência da COP28, apresenta possibilidades para o avanço no campo científico dentro da agenda de governança climática global. “Tendo as desigualdades como nossa linha de ação, a Associação de Pesquisa Iyaleta traz a responsabilidade para a agenda climática sobre as condições humanas das populações vulneráveis aos eventos climáticos. A Confluência Iyaleta ocupa um campo científico importante nas regiões Norte e Nordeste, no Brasil e, para liderar pesquisas, formações e comunicação sobre o campo das desigualdades e mudanças climáticas na ONU”, afirma Diosmar Filho, geógrafo e coordenador científico da Associação de Pesquisa Iyaleta. 

A Confluência Iyaleta tem como especialidade o desenvolvimento de estudos e pesquisas em desigualdades raciais, de gênero, sociais e territoriais, nas áreas das ciências humanas, aplicadas, exatas, biológicas e tecnológicas. “Para nós, o momento é de aumento de responsabilidade com a possibilidade de participar deste espaço. Alegria, mas responsabilidade em promover, no campo científico, a adaptação climática para que as políticas atendam a realidade de 3/4 da população global e não só uma minoria. E responsabilidade para levar nosso conhecimento e as realidades para as COPs, onde se dão as aprovações das políticas climáticas”, reitera o pesquisador sênior e líder da linha de pesquisa “Desigualdades e Mudanças Climáticas”. 

Gestada pela Coordenação Confluência, a Associação de Pesquisa aprovou no mês de julho, o Planejamento Estratégico Iyaleta – PEI (2023-2026). Nele estão as bases de atuação científica pelas Linhas de Pesquisa: Desigualdades e Mudanças Climáticas que tem na liderança o pesquisador Diosmar Filho; Equidade e Justiça de Gênero sob liderança da pesquisadora Emanuelle Góes; Segregação, Moradia e Saúde sob a liderança da pesquisadora Andrêa Ferreira. 

Para mais informações sobre a UNFCCC acessem: https://unfccc.int/